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Instalações para equinos PDF Imprimir E-mail

Introdução

 

O planejamento da construção ou adaptação de uma construção, para cavalariça deve obedecer à máxima simplicidade, sem gastos ou embelezamento inúteis. Todos os detalhes visarão o maior conforto para os animais, assim como a facilidade de seu trato, e permitir que comam e descansem sossegados, sem serem molestados pelos vizinhos. Assim os gastos visarão sobretudo assegurar as melhores condições de higiene e conforto, qualquer que seja o tipo ou classe de animal, e a economia futura em mão-de-obra para o trato dos animais.

 

Escolha de Terreno

 

Uma boa cavalariça deve ficar tão isolada quanto possível das demais instalações da fazenda, localizada em lugar alto, se possível protegida dos ventos frios por encosta ou renque de árvores. O terreno será seco e de solo antes silicoso que argiloso para que seque rapidamente após as chuvas. evitando-se os barreiros tão comuns nos locais mais pisoteados, em seus arredores.

A permeabilidade do solo será tanto mais importante quando não se impermeabiliza o piso dos boxes e do pátio.

A orientação mais desejável é no sentido Norte-Sul, se a construção for, dupla em forma de I. Se for de simples fileira, a face aberta deve estar voltada para o nascente. Se tiver a forma de U, de quadrado ou de L a abertura deve estar voltada para o Norte.

A cavalariça ficará a um nível mais alto que os arredores, tendo as entradas com pequena rampa para evitar a penetração da água de chuva.

Algumas cocheiras têm portas externas nós boxes dando diretamente para um piquete ou "paddock", que serve para o animal se exercitar algumas horas, principalmente em se tratando de potro ou garanhão. Pode-se fazer um "paddock" servindo a dois boxes adjacentes, o que permite dar-lhe maior área e economizar material de cerca, que neste caso é geralmente de réguas de tábuas.

Enquanto num estábulo para vacas procura-se reduzir ao mínimo o espaço destinado a cada animal, não podemos adotar o mesmo critério para os

eqüinos que precisam de ampla liberdade nos seus movimentos. Uma baia demasiado apertada pode resultar em acidentes e desconforto, deixando de preencher sua finalidade.

A escolha do tipo da coche ira dependerá de várias circunstâncias, como número de animais, facilidade do serviço, topografia do terreno disponível e principalmente considerações de ordem econômica.

Quando o número de animais é pequeno, até 10 por exemplo, o serviço será tão fácil com a cavalariça simples como na dupla, porém quando se trata de muitos animais, 20, 30 ou 40, a cavalariça se tornaria tão comprida que muito tempo se perderia com as idas e vindas dos tratadores. Assim mesmo não é desejável acumular um grande número de animais numa mesma cavalariça, não só por questão de sossego, como para separar melhor as várias classes de cavalos, por exemplo: garanhões, potros, animais de trabalho, éguas, etc.

Neste caso pode-se dividir o edifício em secções completamente independentes e adotar a cavalariça dupla transversal.

A área do boxe deve estar de acordo com o tamanho dos animais, sendo necessariamente maior para os animais de tiro pesado e menor para os pôneis do que para os cavalos de sela de tamanho ordinário. Também a área dos boxes destinados aos garanhões, mais nervosos, serão maiores que as dos potros e estas maiores que as dos animais de serviço castrados e mansos. As baias para éguas reprodutoras que permanecem no estábulo por apenas pouco tempo para receberem uma ração de concentrado, para uma Inspeção diária, etc., podem ser consideravelmente simplificadas e reduzidas, enquanto aquelas destinadas às parideiras (maternidades) precisam ser bastante amplas.

Sempre que possível o criador fará boxes espaçosos, pois terão. maior serventia do que baias pequenas que só servirão para determinadas classes de eqüinos.

Assim o comprimento (profundidade) de cada boxe é de ordinário de 3 metros para os cavalos comuns, indo até 4 m para os de tipo pesado. Uma largura de 1,80 é suficiente para um cavalo comum se virar dentro do boxe e mesmo deitar-se confortavelmente se o quiser. Para cavalos grandes ou de tiro é preferível dar logo 2 m. Essas medidas são boas para animais mansos. Para o Puro-Sangue-de-Corridas, por ser um animal mais nervoso, dá-se em geral boxes de 4 X 4 m, para garanhões de raças menores pode-se usar 3,5 X 3,5 m e para os potros 3 X 3 m,

enquanto para as éguas chega-se a reduzir a área individual a 3 X 2 m.

Podem-se dar duas disposições aos boxes, baias ou divisões individuais, para eqüinos. Com relação à disposição dos animais (sempre colocados paralelamente lado a lado) as cavalariças podem ser longitudinais, quando as suas divisões são dispostas ao longo do eixo mais longo do edifício, ou transversais se ao longo do lado menor.

As cavalariças se dizem simples quando há uma única fila de baias, e duplas quando duas.

Quando o número de animais a alojar é considerável, tornando mesmo difícil a construção de uma cavalariça muito longa em forma de I, dá-se-Ihe uma forma mais adequada de L, de U, de quadrado ou de dentes de pente.

A cavalariça dupla é de construção mais barata e torna o trabalho mais fácil que a de simples fileira, principalmente porque um mesmo corredor serve às duas fileiras de baias. As cavalariças em L, U ou quadrado são muito desejáveis porque comportam um pátio ladrilhado no meio, que se presta para a abeberagem, as duchas, e outros cuidados de limpeza dos animais.

Na cavalariça dupla podem-se dispor os cavalos frente a frente ou garupa contra garupa com um corredor central. O primeiro caso é condenável porque exige uma parede no meio do galpão para que os cavalos colocados vis-à-vis não se vejam; além disso requer maior espaço porque exige dois corredores, uma atrás de cada série de baias. O trato é por conseqüência mais demorado.

A cavalariça dupla com corredor central é a mais usada.

Geralmente reservam-se os boxes dos extremos, mais espaçosos, para os garanhões e, quando estes são poucos, para fêmeas recém-paridas, potros mais ariscos, animais machucados em tratamento, etc., ou guardanês.

A passagem ou corredor que passa pelo fundo dos boxes ou entre as fileiras das baias deve ser bastante ampla, a fim de que os animais possam ser virados com facilidade para entrarem e saírem de seus alojamentos. Sua largura mais conveniente "é de 2,40 m para o estábulo simples, embora em geral, inadvertidamente, se use menos (1,50 à 2 m). Para o estábulo duplo seria aconselhável um corredor de 4,50 m, de maneira que dois cavalos afastados e de pé na parte traseira de suas baias não se possam atingir com coices, mas, por economia, isto raramente é feito.

A cubagem de ar para cada cavalo de tiro pesado é de 30 m 3, quando

o estábulo for mal ventilado, podendo descer a 20 para os cavalos comuns; porém debaixo de nossas condições não convém que os estábulos sejam inteiramente fechados e com janelas, como se adotam nos países de estações extremas (inverno e verão rigorosos).

Quando se forra o estábulo para guardar feno no sótão, a altura do forro não deve ser superior a 4 m. E preferível, entretanto, não usar forro nem estábulo inteiramente fechado, debaixo de nossas condições. Então far-se-ão as paredes dos boxes subirem a 2 ou 2,20 m de altura, ficando o espaço que separa do telhado aberto para a circulação do ar (ventilação), sem que os animais sejam atingidos pelas correntes de ar frio. O beiral deve estender-se bastante além da parede externa (até 2 m), quando a parede é baixa, a fim de proteger a baia contra a chuva de vento, sol, etc. Na sua parte mais baixa não ficará a menos de 2,50 m do chão, a fim de que ao sair o cavalo, empinando­-se, não bata nele com a cabeça.

Os boxes terão de preferência uma única porta. Duas constituem um desperdício inútil de dinheiro. Esta é geralmente dividida em duas secções, a de baixo com 1,40 m e a superior, menor, com 1,00 m (quando a altura da parede vai a 2,40 m ou mais). As portas têm geralmente de 1,20 a 1,50 m de largura. Quando ultrapassam 1,30 ni podem-se usar 2 portas de larguras diferentes, então a mais estreita pode permanecer aberta durante o serviço e a outra só é aberta para a saída do cavalo.

Nas cavalariças "de cria", onde não se guardam animais ajaezados, pode-se reduzir a largura da porta a 1,00 m, empregando-se comumente as portas cortadas em duas secções.

Podem-se usar rodilhos de madeira ao lado das portas para impedir que os animais ajaezados se enganchem ao sair. Alguns desenvolvem o hábito de bater com os cascos na porta, estragando-a. Para evitá-lo, deve ela ser forrada com uma folha de ferro na sua face interna e às vezes também no bordo superior, quando os animais adquirem o hábito de mordê-la.

Junto à mangedoura deve haver um esteio de forma que o animal possa ser aí atado. O comedouro, o bebedouro e a mangedoura são distribuídos pelos 3 cantos mais livres. Podem ser adota dos dois sistemas para prender o animal: uma argola fixa à parede, à altura de 1,65 m, ou uma barra de ferro horizontal com uma argola móvel à altura do comedouro, que permita o animal se deslocar do canto deste até o canto da mangedoura. A porta de saída da cocheira

deve ter 2 m de largura e 2,5 ou mais de altura.

Em se fazendo boxes fechados, as janelas serão preferentemente de vitros de ferro, com uma área mínima de iluminação de 1/3 de m 2 por animal, colocadas a 2 m do chão (no mínimo 1,70' m). Um vitrô colocado no lado oposto, na outra baia, permitirá uma conveniente circulação do ar. Às janelas abrem-se sempre para cima conduzindo ar para as camadas superiores, mais quentes.

O piso da cavalariça (boxes e corredores) deve ficar a 20 ou 2S em acima do nível do terreno que o rodeia, a fim de facilitar o escoamento das águas de limpeza. Será preferentemente feito de concreto, ladrilhos de cimento estriado (usado em calçadas) ou de asfalto e pedra britada. O piso de madeira é suave e elástico, muito recomendável, se bem que caro. Entre as juntas de madeira se deita cimento ou asfalto. Hoje estão se usando diversos tipos de borracha ou plástico para piso. Naturalmente só terão aplicação para animais de grande valor.

O melhor piso é o de concreto, com uma queda de 1: 70 ( 1 a 1,5 cm por metro) para fora, para escoamento da urina e porque os cavalos têm mais equilíbrio com a frente ligeiramente mais alta que a traseira. Para a drenagem da urina é melhor fazerem-se ranhuras pouco profundas, em espinha de peixe, para um canal central que escorrerá num canal coletor, no corredor. Os canais em espinha de peixe são adotados se a porta for central. Se lateral podem-se preferir usar canais oblíquos, convergindo para uma canaleta junto da parede, ao lado da porta. Essas canaletas coletoras de urina podem desembocar num ralo de esgoto colocado no corredor, ou, o que é mais freqüente, desembocarem num canal maior que recebe a urina de todas as baias de um mesmo lado e a conduz, por gravidade, para um ralo de esgoto colocado na parte externa do edifício.

As sargetas ou canaletas de desaguamento terão uma inclinação mais pronunciada, isto é, de 2 cm por metro. Compreende-se que assim em 10 m haverá um desnível de 20 cm. Quando a cocheira é comprida faz-se portanto, o desaguamento nos 2 sentidos opostos a partir do centro, porém se a cocheira for muito grande a única solução é fazer-se a canalização subterrânea e a coleta das águas será feita por diversos ralos. Não convém que estes ralos sejam distribuídos dentro de cada boxe, como alguns fazem, porque complica demasiado a construção, exigindo emprego de sifões e tês desnecessários Pode-se fazer um ralo para cada boxe, porém neste caso ele deverá ficar no corredor, em frente à parede divisória. Um ralo pode servir a dois boxe: contíguos ou podem-se localizá-los na guia

(sempre em frente às parede divisórias, a maiores distâncias). Os esgotos subterrâneos convergirão par; uma fossa séptica ou depósito para irrigação de esterqueira. Não se desejando fazer tais construções perto da cocheira, as águas podem ser encaminhada para irrigação de capins de corte de grande produção como Guatemala, Na pier, Cana forrageira, etc., por meio de canais descobertos a partir de certa distância. Convém então usar uma caixa de descarga automática por meio d um sifão para que o escoamento das águas, quando se der, seja rápido, atingindo distâncias maiores. Essa caixa depósito deve ser de concreto' ou alvenaria, completamente fechada para evitar emanações.

Na cocheira os animais podem ficar em liberdade em boxes ou em baias.

As divisões das baias podem ser fixas ou móveis. As primeiras são mais usadas pela segurança que apresentam, mas isolam demasiado os cavalos, o que não é bom do ponto de vista psicológico.

As separações móveis são de duas espécies: barra, tapume ou baia. A barra é fixada por sua extremidade anterior no cocho e por outra ao teto por uma cadeia ou corda. Por meio de um dispositivo especial chamado "salta­-régua" pode-se baixá-la rapidamente quando os cavalos se esbarram.

Ás barras têm 3,5 m de comprimento e 10 cm de diâmetro. Podem ainda ser feitas com uma ou duas tábuas de madeira ou travessão unidas entre si. Anteriormente são fixas a anéis na parede e posteriormente por uma corda ou cadeia que caia do teto (madeiramento). Deve poder soltar-se rapidamente caso os cava!os enredem nelas os pés.

Preferem-se os tapumes ou baias construídas com tábuas de madeira, forradas por uma esteira de palha ou tabua, ou por telas metálicas que se suspendem igualmente ao teto da mesma forma descrita.

As paredes divisórias fixas podem ser feitas em concreto, alvenaria de cimento ou tábuas de madeira dura. Desde que ambos os lados da parede de alvenaria de tijolos devam ser revestidos de cimento e bem alisados para facilitar a limpeza, é possível que em muitos casos seja preferível fazê-la logo de concreto armado. Como a parede deve suportar trancos e mesmo coices, deve ser feita de material que resista a estes impactos: por isso as paredes de madeira só podem ser aconselhadas nas cocheiras de animais de trabalho, de éguas, enfim de animais relativamente mansos, ou então revesti das de chapas de ferro na sua parte

posterior até um metro de altura. Entre as madeiras mais usuais entre nós, o pinho é muito mole e a peroba lasca-se com facilidade, podendo ferir os animais, por isso elas devem ser embutidas. A espessura das tábuas será preferivelmente de 1, 5 a 2 polegadas.

Devem ser tratadas com preservativo e não ficarem em contacto direto com o chão, deixando um espaço ( 1 polegada) para evitar a contaminação constante com urina e umidade, o que reduziria de muito sua duração, e para facilitar a ventilação e secar o chão.

A altura dessas paredes é, como dissemos, de 2 a 2,20 m, porém pode ser um pouco mais baixa (até 1,50 m) na parte traseira, para facilitar a inspeção dos animais. Para o mesmo fim, e para facilitar a ventilação, alguns usam grade de ferro em cerca de 2/3 da parte superior traseira da parede.

As portas dos corredores poderão ser mais largas se pretender entrar com veículos' para retirada de camas, etc. Doutro modo terão a mesma largura que portas amplas de boxes, isto é, de 1,50 m. Todas as portas, mesmo as do corredor para o exterior, terão 2,40 m como mínimo de altura e abrirão para fora. Serão divididas em 2 secções, a inferior de 1,40 e a superior com 1,00 m ou mais. Esta porta superior é conservada aberta nos dias quentes para facilitar a ventilação. As ferragens das portas serão suficientemente fortes para agüentar os trancos, inclusive os ferrolhos que devem abrir e fechar com facilidade.

As colunas, que geralmente concorrem para segurar o telhado e ao mesmo tempo suster as paredes divisórias, não devem ser de madeira, mas se o forem esta deve ser dura e tratada para conservação. Preferir-se-ão as de cimento armado às de alvenaria, pois são mais fortes e ocupam menos espaço. No caso de divisões de madeira usar-se-ão colunas de ferro, devendo-se preferir canos grossos usados. A parede de madeira formará um quadro dentro de uma armação de ferro que será soldada a esta coluna.

Todos os cantos 'devem ser mortos. Nas paredes de alvenaria e de concreto, eles são cheios de cimento e arredondados. Isto facilitará a limpeza.

Para as éguas e animais de trabalho é mais freqüente o uso de baias, onde existem apenas as paredes divisórias. A parte posterior é fechada por uma corrente colocada a altura conveniente. Tal alojamento não se presta para animais novos e ariscos, garanhões e animais enfim de temperamento vivo, que podem embramar os membros, tentando pular ou escoucear, e se machucarem, podendo

até quebrarem uma perna.

No caso particular dos cavalos de corrida pode-se forrar as paredes com colchões de palha para evitar acidentes ou machucaduras pelos golpes, patadas, etc.

O Prof. Emílio Solanet, em seu livro "Hipotecnia", apresentou uma sugestão muito interessante sob o nome de "galpão para preparar eqüinos para a exposição" que data vênia reproduzimos porque constitui uma excelente disposição de cocheira para garanhões, agregando-se uni quarto para guarda de arreios e outra para a de concentrados.

Consta de 8 boxes fixos (número que pode ser aumentado de maneira definitiva ou provisória com paredes de madeira, desmontáveis, neste' caso numa situação de emergência). Entre as duas filas de boxes existe um pátio ladrilhado bastante amplo contendo dois palanques P' para contenção dos animais para o penso: raspadeira, massagens, tosa, levantar os quatros membros, tirar as cócegas, limpar, limar, queimar e preparar os cascos, curá-los e mesmo ferrá-los. Do lado de fora os palanques P são usados para animais bravos ou nervosos.

A altura do teto na cumeira, neste exemplo, é de 6 m enquanto os beirais ficarão a 2,50 m do solo. O tamanho dos boxes é de 3,5 X 3,5 a 4,0 X 4,0 m e suas paredes terão 2 m de altura (1/2 tijolo), ficando, portanto, um espaço livre com relação ao beiral de meio metro, suficiente para proporcionar uma boa ventilação, sem excesso. Uma cocheira nestas condições apresenta grande vantagem sobre as cocheiras fechadas, porque a temperatura interna não é muito diferente daquela externa e os animais não se resfriam quando tirados para fora. Não será também nem demasiado escura, nem demasiado clara.

O teto da cobertura sobressai 2 m da parede externa do boxe, evitando assim a penetração de "chuva de vento". O piso pode ser de terra batida ou impermeabilizado.

Os comedouros serão de ferro ou latão, de bordos arredondados, desmontáveis e de fácil limpeza, de 50 X 60 cm, colocados no canto posterior ao lado da porta a um metro do chão.

Todos os cantos e portas serão arredondados. O bebedouro é colocado no pátio externo.

Piso

 

Todos os pisos têm seus defeitos. Como não há um piso ideal, eles podem ser corrigidos pela adoção da cama permanente.

O piso de tijolos, mesmo bem requeimados, é muito poroso e conserva-se sempre úmido. Quando colocados de espelho e assentados com cimento, são um pouco melhores. Mesmo quando revestidos de cimento, é úmido.

O piso de concreto seria muito bom se não fosse tão frio e duro. O de asfalto amolece no tempo quente e fica esburacado com as patadas do animal. Os de pedra ou paralelepípedos são duros, frios e. não permitem uma boa limpeza. O de paralelepípedos de madeira seria excelente se não conservasse tanto a umidade e as urinas.

Outro bom piso, e mais barato que os demais, é aquele formado pela própria terra socada, mas também, em conseqüência das urinas, toma-se mole e esburacado.

Em qualquer dos pisos referidos deve haver uma inclinação suave para fora, de 1 cm em cada metro (até em cada 70 cm) a fim de facilitar o escoamento da urina e água de lavagem, se for o caso. Ter-se-á cuidado de não tornar esta inclinação muito forte, pois afetaria os aprumos dos animais, forçados constantemente a uma posição defeituosa, fazendo-os adquirir taras nas articulações, manqueira e deformação das extremidades.

As cavalariças devem ser espaçosas, claras, bem ventiladas, secas e confortáveis. A estabulação racional tem uma influência considerável quase tão grande como a alimentação sobre a condição física dos eqüino.

No alojamento do cavalo há uma tendência para o ambiente tornar-se impróprio pela grande quantidade de água eliminada pela respiração, pelo suor, pelas urinas. Também o gás carbônico, amoníaco e outros gases produzidos pelas fermentações pútridas da dejeções e das camas umedecidas são impróprios de serem respirados pelos cavalos, e precisam ser eliminados por uma ventilação adequada..

 

Enfermarias

 

Em muitas cocheiras amplas reserva-se um ou alguns boxes

denominados enfermarias, para animais doentes, operados, etc. São geralmente fechados e dispõem de bebedouros internos para que os animais possam beber sem necessidade de sair.

No geral prefere-se fazer, para este e outros fins, cocheiras sem divisões ou com grandes quartos para conter diversos animais. Estas cocheiras não possuem detalhes internos a não ser as paredes revestidas de cimento liso até a altura de 2 m e com os cantos ligeiramente cheios (arredondados) para facilitar a limpeza e desinfecção, sobretudo quando deva ser usada para enfermaria ou maternidade. Neste caso as mangedouras, comedouros e bebedouros devem ser tão simples quanto possível, e facilmente removíveis.

As portas devem ter 2,40 m de altura por 1,20 m de largura e, se divididas transversalmente em 2 partes, a inferior terá. 1,40 e a superior 1,00 m. Geralmente a parte superior se conserva aberta dia e noite, salvo mal tempo. Os cavalos doentes permanecem com a cabeça repousando sobre a porta inferior por muito tempo por causa do sol e ar fresco.

Outras vezes aproveita-se uma das extremidades da cavalariça para fazer uma ou mais cocheiras deste tipo. Então elas são geralmente de 4 X 4 m e se abre para o exterior, em vez de comunicarem com o corredor interno de serviço. Por motivos óbvios, v.g. a hipótese da ocorrência de doenças infecto­-contagiosas, quarentena, etc., seria melhor que a cocheira-enfermaria fosse localizada isoladamente e distante das instalações principais.

 

Comedouros e Mangedouras

 

O comedouro individual não é só uma condição de higiene como o único meio para permitir o eqüino comer inteiramente sua ração. A ausência de ângulos vivos permite uma limpeza mais perfeita.

A parte inferior dos comedouros é geralmente vazia ou em plano inclinado para evitar que o animal machuque os joelhos.

Os comedouros, destinados a alimentos concentrados, são colocados a um metro do solo na parede fronteira ao animal, ou num dos cantos dessa parede; Deve ser de ferro, preferivelmente móvel, para se retirarem os restos de comida velha e úmida, que fermentaria provocando distúrbios gastro-intestinais.

As mangedouras para feno ou capim são colocadas à mesma altura, ao lado do comedouro, quando este está situado na parede fronteira, ou noutro canto.

É condenável o uso de mangedouras altas e inclinadas, porque a poeira pode afetar os olhos dos animais. Há muito que se prefere não usar mangedoura e dar o feno e capim verde no chão.

As mangedouras verticais podem ser de madeira ou de ferro. As de madeira são menos higiênicas e têm vida precária, precisando constantemente de concertos. O mesmo acontece com os comedouros de madeira.

Quando se fazem comedouros de madeira, esta deve ser bem dura, de 1,5 a 2 polegadas de grossura, com 44 cm de largura em cima e 22,5 em baixo, e cerca de 75 cm de comprimento (medidas internas), e 20 a 30 cm de "profundidade. A face anterior do cocho deve ser inclinada para dentro para diminuir a possibilidade do animal machucar.o joelho. O seu bordo superior deve ser forrado com chapa de ferro para evitar do cavalo morder a madeira. a melhor entretanto é usar cochos de ferro, mais duráveis e mais higiênicos, havendo alguns tipos fabricados especialmente para este fim, que têm aparência de uma pia comum. Suas dimensões devem ser 75 X 35 X 30 cm, estreitando-se no fundo.

Usam-se também comedouros de cimento armado que podem ser feitos na mesma ocasião da construção das paredes. Não devem apresentar rachaduras, nem cantos vivos, para facilitar a limpeza.

A parte superior do cocho pode ficar a 90 cm do chão para os cavalos comuns e 1,00 m para os grandes, dando suficiente conforto. Em vez de ter o cocho fixo à parede, pode-se usá-lo também à altura do solo, o que permite ao animal comer numa posição mais natural. Parece não haver inconveniente algum.

O lugar mais adequado para a mangedoura é ao mesmo nível do come­douro (cocho). Uma mangedoura baixa, de boca muito larga, tem o inconveniente do animal retirar feixes de feno muito grandes. Para evitar isso usa-se boca apertada e o fundo constituindo um forte plano inclinado para fora, aproveitando um dos cantos do boxe.

 

Bebedouros

Atualmente não se usam mais bebedouros fixos dentro do boxe. Ou se tiram os animais para se dessedentarem fora ou leva-se-lhes a água em quantidade suficiente num balde, na hora adequada; contudo, alguns acham que o cavalo deva, como as demais espécies domésticas, ter sempre água fresca e limpa à sua disposição. Há, não obstante, inconvenientes de manter um bebedouro com água dentro do boxe; o animal ao beber, com o focinho cheio de fareIo, deixa sempre um pouco de comida, prejudicando as condições de higiene. Isto obriga a uma limpeza diária tanto do bebedouro, como do comedouro e da cama, que nesse caso não pode ser permanente. Nas cocheiras de muitos animais o bebedouro interno constitui mais um trambolho que uma comodidade e é muito mais prático tirar o cavalo para se desalterar fora. O bebedouro interno só é recomendável nas cavalariças de ricaços, onde há sobra de mão de obra. Se houver torneiras estas devem ser de grande diâmetro para diminuir a pressão da água que a faz espirrar. Os bebedouros automáticos não deram para os eqüinos muito bom, resultado.

O melhor sistema de bebedouro interno é usar um balde que pode ser tirado com facilidade e levado fora. Geralmente esse recipiente é encaixado em um anel preso à parede, num dos cantos posteriores do boxe e a uma altura de 90 cm a um metro, pode o balde ser encaixado também num receptáculo de concreto, bem mais amplo, contendo um ralo inferiormente para esgotar a água que caia ao animal beber.

O bebedouro externo é feito de alvenaria ou concreto com uma altura de 90 cm, colocado longe da porteira para evitar poeira. Pode-se construir junto a uma caixa de alimentação com bóia, que mantenha o nível constante. É melhor fazê-lo pequeno, facilitando sua limpeza diária. Alguns consideram-no pouco higiênico, mas não o é tanto, a menos que apareça uma doença respiratória, quando se deve suspender o seu uso.

Uma grande vantagem do bebedouro único é que pode ser limpo ou inspecionado com mais facilidade do que se usando um bebedouro para cada animal, e, nestas condições, a higiene será melhor.

Contenção

Deve existir, em toda baia, um dispositivo de contenção que permita prender os animais de maneira que não haja risco de machucar seus vizinhos, mas que ao mesmo tempo permita-o alimentar-se e mesmo deitar-se apoiando a cabeça sobre o chão, sem risco de enforcar-se na corda.

Deve-se para isso colocar um contrapeso de meio quilo na extremidade livre da corda, de maneira a encurtá-la quando o animal se aproxima da argola. Assim dificilmente ele embramara ao pescoço ou as mãos. O comprimento da corda será calculado de maneira que, estando de pé em frente do comedouro, o peso toque o solo.

Pode-se usar corda, corrente, correia de couro, ou uma combinação desses materiais. Corrente é muito barulhenta e a corda parte-se com facilidade.

Em alguns estábulos a corda passa por um anel defronte do comedouro no seu centro e cai diretamente com o contrapeso debaixo dele. Como os cavalos que trabalham pouco ou não trabalham adquirem o hábito de morder a corda, de jogar o peso dentro do cacho ou ainda de enrolar a corda, é aconselhável embutir peso e corda por dentro do comedouro. A fim de dar maior liberdade à cabeça do cavalo, quando comendo ou de pé, é conveniente usar uma argola na corda a 30 cm do boçal.

Nas cocheiras sem divisões, geralmente usadas para animais mansos e de trabalho (montaria ou tração), colocam-se convenientemente espaçadas na parede ( 1,5 m mais ou menos), argolões de ferro, onde se amarram os animais. Existe um tipo de nó especial para este fim que permite desamarrar o animal em fração de segundo em caso de necessidade.

Há outros tipos de cocheiras abertas em que não se faz contenção dos animais. Eles pousam ai durante a noite sobre cama permanente, que deve ser usada como esterco. Neste caso os comedouros e mangedouras serão de preferência colocados externamente, para evitar atropelo no cocho comum. Para comer os animais passam a cabeça num vão entre duas estacas.

 

Quarto de Arreios ou Guarda-Arnês

 

Qualquer cocheira, por pequena que seja, tem um quarto destinado à guarda dos arreios, apetrechos de limpeza e uso geral na cocheira, medicamentos, desinfetantes, etc.

Deve ser uma sala seca e bem ventilada para evitar o mofo. Quando os arreios são dependurados na parede, esta deve ser convenientemente forrada para não estragá-los. Quando os arreios sejam usados diariamente procurar­-se-á um meio de tornar o ambiente tão seco quanto possível, podendo-se usar nas cocheiras de luxo, irradiadores elétricos de calor, etc.

Alguns usam gavetas ao longo das paredes, onde se colocam os apetrechos de cada cavaleiro ou cavalo. Quando fechadas essas gavetas servem de banco para os montadores lustrarem e engraxarem seus arreios. Em cima de cada gaveta haverá esteios ou suportes de madeira para a sela, bridão, coleira, etc. Uma altura conveniente para esses suportes é de 1,50 para o da sela e 2 m para a coalheira, sobre as gavetas. Os suportes das selas (porta-selas) devem ficar a 90 cm um do outro e o da coalheira no meio deles. Em algumas cocheiras usam-se cavaletes, descobertos ou protegidos.

A gaveta deve ter 20 cm de altura por 45 cm de largura. Um armário ventilado (com tela) é necessário para drogas, etc.

 

Depósito de Forragem

 

Nas cocheiras pequenas não há necessidade de uma sala para o preparo das rações. A palha e o feno podem ser armazenados sobre a sala de arreios e mesmo o milho pode ser ai depositado e retirado por gravidade, por um conduto de madeira.

Quando porém a cavalariça é grande, é imprescindível uma sala para preparo dos alimentos. Deve ser clara, seca, arejada e a prova de ratos. De preferência deve ficar por baixo de um depósito de feno.

O equipamento necessário para um grande estábulo consta de um picador de palha, ao qual pode-se adaptar um ventilador para transporte pneumático. Se possível, usar aparelhagem para retirar do alimento pregos, pedaços de arame, etc. Um amassador de cereais ou na falta, um moinho, são

necessários, para aveia, milho, etc.

O fenil, quando não colocado sob o telhado, deve ser bem seco, distante da esterqueira, latrina, chaminé, fonte, separado da cocheira, porém não muito distante.

 

Luz Artificial

 

A iluminação artificial é sempre necessária, quer se use luz elétrica ou de qualquer outra fonte. Em qualquer caso as lâmpadas devem ser colocadas suficientemente altas, fora do alcance dos "animais, que deverão entretanto dormir na obscuridade porque descansarão melhor.

 

A Cama das Cocheiras

 

A cama é um substrato de material absorvente que se coloca sobre o piso para dar maior conforto. Realmente o animal pode descansar sobre ela tanto em pé como deitado. Uma boa cama deve ser macia, seca e plana e com boas propriedades absorventes, evitando o mau cheiro pela decomposição da urina e das fezes. Não deve ser úmida, se não concorrerá para o apodrecimento da ranilha e amolecimento dos cascos. A cama permite também nivelar melhor o chão, de maneira que o animal não se canse nem adquira aprumos viciosos.

A cama pode ser diária ou permanente. A cama diária, isto é, que deve ser trocada diariamente, só pode ser usada em cavalariças de luxo ou "quando se tem apenas alguns animais”. A cama permanente pode durar até quatro meses e mais, oferecendo condições muito melhores que a cama" diária. Para fazê-la, no princípio colocam-se cerca de 40 quilos de palha, bem espalhada, e depois, diariamente, cerca de 10 quilos, lembrando que o animal come um pouco dessa palha. Quando a cama atingir 30 cm, ela estará em boas condições para preencher plenamente suas funções, mas continua-se a "empregar palha e feno no chão. Geralmente, o cavalo come a parte melhor e deixa o resto. As fezes devem ser retiradas com cuidado pode ser com um pouquinho de "palha que sai com o garfo”, mas evitar-se-á de remexer na palha para não provocar emanações de vapores fétidos; pelo contrário, a palha deve manter-se sempre bem comprimida e junto à porta põe-se palha limpa e seca para evitar o seu estrago.

As principais palhas usadas nos países de clima temperado são as de trigo e aveia. A de arroz é dura, quebradiça, embolora com facilidade e é pouco absorvente. Entre nós deve reservar-se para este fim capim segado, seco, geralmente feno inferior, que tomou chuva durante a fenação ou proveniente de capim já maduro.

Para preencher melhor sua finalidade, pode-se usar uma cama de turfa como lastro e depois pôr a palha por cima, dispondo-se desse material.

Na falta da turfa, que tem grande capacidade absorvente, pode-se colocar uma camada de terra (não areia que absorve pouco a água e o amoníaco) e sobre ela a palha. Não se deve mexer na palha. Havendo algum lugar mais baixo, aí se coloca mais palha, procurando sempre conservar a cama de nível.

Retiram-se as fezes pela manhã e durante o dia, batendo-se depois a palha nestes lugares com a costa do garfo para igualá-la.

Obter-se-ão melhores resultados com palha cortada de 15 a 30 cm do desfibrar grosseiramente a palha. Materiais inteiramente inadequados, como canas de milho secas, tornam-se bons quando desfibrados.

Para as camas diárias pode-se usar palha, mas sendo seu consumo neste caso muito grande, preferem-se materiais sem valor, facilmente disponíveis. O mais usado é a serragem de madeira que tem um bom poder absorvente com relação à urina. Nas usinas de açúcar, por exemplo, poder-se-ia usar o bagaço de cana fresco e seco, mas como esse material azeda-se com facilidade e pode ser parcialmente ingerido pelos animais, não se pode descuidar de trocá-lo diariamente.

Para evitar emanações nocivas de carbonato de amônio que sempre se forma, desde que o material da cama deva ser empregado como adubo na propriedade, pode-se esparramar no fundo superfosfato ou gesso para absorver o amoníaco. Essas camas ou são levadas para a esterqueira ou diretamente para o campo, geralmente para estercar capineiras próximas. É freqüente separar o excremento do cavalo no depósito de esterco, porque nestas condições ele esquenta e destrói as larvas de moscas e vermes.

O professor Solanet recomenda um estrado de ripas de 1 1/2 X 2 polegadas, cruzadas em dois sentidos e aproximadas, por cima do qual se colocam as camas. A finalidade do estrado é filtrar a urina para o concreto, donde escorrerá com facilidade. Para facilitar a retirada desse estrado ele é dividido em 4 partes iguais. Por exemplo, se o tamanho interno do boxe for de 3,50 m, os estrados terão

1,70 X 1,70 m. Se tiver 4,00 X 4,00 m, os estrados terão, 1,95 X 1,95 m.

Quando o piso da cocheira é de terra batida, esta absorve bem a umidade e as emanações, se a cama for bem espessa. Neste caso deve-se usar sempre cama permanente. Quando a cama é retirada, faz-se uma boa aplicação de cal; deixando-se de usar o boxe por alguns dias para desinfetar e secar bem antes de ser novamente usado.

 

Cercas

 

Não se pode criar eqüinos com bons resultados em promiscuidade, a menos que a área da pastagem seja tão grande que eles formem naturalmente grupos isolados, como aconteceu com os cavalos chimarrões e mustanques.

Há, pois, necessidade de divisões das pastagens, não apenas para o seu controle - evitando o super ou o subpastoreio, principais fatores responsáveis pela sua decadência o degenerescência - como para separar as várias classes de eqüinos que não devem permanecer no mesmo pasto. Assim os potros e burrinhos desmamados devem ser isolados em pastos distantes daqueles de suas mães. No início da estação de monta, as éguas reconhecidamente prenhes devem ser retiradas da manada antes de introduzir na pastagem o garanhão ou rufião. Para as éguas em adiantado estado de prenhes devem-se reservar potreiros menores, porém planos ou pouco acidentados, próximos da sede, a fim de se poder fiscalizar a parição. Se reservam muitos potros inteiros, ao completarem um ano, se não forem para a cocheira, devem ser separados das potrancas enquanto se desenvolvem. O mesmo se fará com relação aos muares. Junto desses animais pode-se conservar uma madrinha, isto é, égua mansa e velha, que os conservará reunidos, sobretudo quando se leva a tropa ao curral ou de um pasto para outro.

As cercas são construídas com uma altura que ,vai desde 1,40 a 1,70 m, de acordo com a classe do animal que deve - ser contido. Os animais de trabalho, éguas desacompanhadas de pastor (garanhão), as jumentas e suas crias, podem ser contidos com cercas mais baixas (1,40- 1,50 m); as éguas acompanhadas de garanhões e potros disporão de cercas médias (1,50-1,60) e finalmente os garanhões nos padoques ("paddocks") ou nos currais disporão de cercas bem altas (1,70).

 

O material usado nos tapumes varia um pouco. Em campos muito pedregosos, aproveitam-se as próprias pedras esparsas para construção das pa­redes divisórias, aproveitando essa oportunidade para limpar o campo. Se há muita vara no local (vegetação arbustiva, eucalípto fino, etc.) podem-se fazer cercas de varas ou mesmo uma paliçada. Em outros lugares fazem-se cercas vivas. Enfim, se a criação for modesta, considerando o alto custo dos tapumes, o criador procurará fazê-la de materiais baratos, facilmente acessíveis no local.

As cercas mais usuais são de arame liso grosso ou de preferência de aço ovalado e galvanizado, que pode ser mais fino e ficar mais barato. Os postes poderão ser enterrados a uma distância de até cada 12 m um do outro, e em cada esquina se colocarão mourões reforçados duplos, para aguentarem o esticamento do arame, que é feito por meio de torniquetes.

Estes postes e mourões devem ser de madeira durável, do contrArio serão previamente submetidos a um tratamento para conservação pelo pentaclorofenol dissolvido em óleo, ou outro conservador de madeira.

O número de fios variará também com a classe de animal a conter. Pode-se usar de 5 a 9 (7 em média). Esses fios, de preferência, passarão por orifícios praticados com puas nos postes para correrem com facilidade quanto esticados, o que deve ser feito com certa freqüência para a conservação da cerca.

Nos intervalos entre os postes colocam-se 3 ripões maiores e nos intervalos destes 4 menores (perfurados), de 2 X 1 1/2", que ajudam a manter a cerca esticada. Algumas vezes, principalmente, quando se usam postes mais próximos,. como nos currais, prega-se no alto da cerca uma régua de madeira, pintada de branco, que permite aos animais em disparada verem a cerca a tempo. Aliás as cercas, sempre que possível, devem ser claras ou pintadas de branco.

Em alguns lugares onde há muita pedra e pouca madeira, os postes são feitos de pedra aparelhada e o arame amarrado.

Dado o custo cada vez mais alto da madeira entre nós, já se estão usando para cercas postes de cimento armado para os aramados. Tais postes podem ser feitos já com os furos para a passagem do arame. Se bem feitos e de grossura conveniente podem durar eternamente, porém se finos e pouco vibrados quebram-se com facilidade a altura do solo, com os esbarros dos animais.

Uma cerca econômica pode ser feita aproveitando-se aléas de árvores, como eucaliptos ou, melhor ainda, de palmeiras (palmito), já existentes.

 
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