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Tipos de cercas

Existem diversos tipos de cercas em funções de fatores determinantes como materiais, princípios de funcionamento e técnicas construtivas empregadas. Independentemente do tipo de cerca a ser construída, objetiva-se a máxima eficiência com o menor custo.

O tipo de cerca pode ser definido por 6 fatores básicos:

  • Finalidade
  • Topografia
  • Condições ambiente
  • Período de utilização
  • Estética
  • Disponibilidade de recursos

     

     

a) Finalidade: Toda cerca delimita áreas. Em função do tipo de exploração destas áreas, podem-se ter diversos tipos de cercas.

b) Topografia: A topografia é um dos principais determinantes do tipo de cerca a ser construído e, consequentemente, influi decisivamente para um maior ou menor custo final. Em toda mudança de relevo e direção, deve ser feita uma estrutura de ancoragem (mourão esticador e seus reforços), que irá manter os fios retilíneos e paralelos entre si e ao chão. Esta estrutura de ancoragem constitui-se, por exemplo, na ancora/mão francesa para as cercas campestres ou no palnque para cercas de arame liso. Como trata-se do item mais importante e de maior custo ( principalmente o palanque), deve-se ter considerações especiais sobre este fator no planejamento de uma cerca.

Recomendação geral

Terrenos acidentados e de forma irregular: Arame farpado

Terrenos planos: Arame liso

Terrenos acidentados e de forma regular: Arame farpado e/ou liso

c) Condições ambientais: Levam-se em consideração principalmente as características físicas do solo, em especial textura, condições de drenagem e pedregosidade. Solos muito arenosos ou encharcados não permitem uma boa fixação do mourão devido à dificuldade da compactação. Solos rasos, com afloramento de rochas ou presença de pedras, dificultam muito a construção de cercas, que dependem de maior estabilidade das peças de sustentação e ancoragem, como as cercas de arame liso. Nessas situações, devem-se adotar técnicas construtivas específicas para reforço dos extremos da cerca. As cercas de arame enfarpado podem ser a mais recomendadas.

d) Período de utilização: Em função do tempo estimado de uso, as cercas podem ser definitivas/permanentes ou provisórias/ temporárias (em geral construídas com materiais de menor custo e fácil remoção).

e) Estética: Além dos aspectos de custo e eficiência, o gosto pessoal pode determinar alguns detalhes construtivos, principalmente quanto aos acabamentos.

f) Disponibilidade de recursos: Para buscar o menor custo, deve-se procurar aproveitar os recursos existentes na propriedade. O custo pode ser muito variável, mas em qualquer situação há significativa redução com um maior espaçamento entre as estacas/ lascas e o uso de menos estruturas de ancoragem. O investimento no uso de materiais de alta qualidade e uma boa construção são os fatores mais importantes para uma significativa economia, pela maior vida útil da cerca, menor necessidade de manutenção e melhor eficiência funcional.

Aspecto construtivo

  • Escolha do arame: O arame de aço zincado utilizado para cercas é composto por diversos minerais, principalmente ferro e carbono, que dão resistência mecânica e zinco (na cobertura), que protege contra a ferrugem. Portanto, em função de sua aplicação, o arame deve ser escolhido pelas caracteristicas básicas de resistência à tração e à ferrugem.

Resistência à tração

Pela resistência de um arame à tração, avalia-se sua capacidade de suportar a investida de um animal.

Esta resistência pode ser designada como carga de ruptura mínima, em Kgf (quilograma-força). O arame com uma ruptura mínima de 350 Kgf, por exemplo, só se rompe com uma força acima de 350 Kgf. De acordo com a carga de ruptura, dividem-se os arames farpados em classe 250 Kgf e classe 350 Kgf.

Os arames de classe 250 Kgf são indicados para animais mansos e menores e os da classe 350 Kgf, para animais arredios, maiores e para divisas de propriedades. A “grossura” do arame não é o que determina sus resistência, mas sim o seu teor de carbono e o tratamento térmico do aço no processamento industrial do produto.

Portanto um arame mais fino pode ser mais resistente que um outro mais grosso.

Confira a resistência do arame na sua etiqueta.

Os arames lisos precisam ser mais resistentes que os farpados pelo fato de não possuírem farpas para intimidar os animais. Podemos encontrá-los com cargas de ruptura de 500 Kgf – para cercas elétricas; 600 Kgf – para animais de menor porte, como ovinos, caprinos e bovinos mansos; 700 Kgf para animais de médio e grande porte e 800 Kgf.

Resistência à ferrugem

A resistência de um arame à corrosão ou à ferrugem é determinada pelo seu revestimento. No Brasil, o revestimento mais empregado é o zinco. Quanto maior a camada de zinco, maior sua durabilidade do produto. O processo de revestimento do aço com zinco é denominado galvanização ou zincagem.

A gramatura do arame é a quantidade de zinco por unidade de área, expressa em gramas de zinco por metro quadrado (g de ZN/m 2). De acordo com a galvanização, os arames são divididos em tipo camada leve e tipo camada pesada ou tipo Motto. As galvanizações tipo Motto chegam a ter três(200g de Zn/m 2) que os tipo camada leve (70g de Zn/m 2).

Em ambientes com altos índices de corrosão (alagamentos, litoral, áreas industriais, locais de acúmulo de dejetos etc.), use sempre os arames tipo Motto. Contudo mesmo em áreas com clima seco ou com pouca ocorrência de corrosão, é compensado o uso de arames tipo camada pesada. Os arames representam em média apenas 20% do custo de uma cerca. No mercado, os de tipo camada pesada são cerca de 10% mais caros. Fazendo-se as contas, têm-se apenas 2% de acréscimo no custo total da cerca quando se utilizam arames tipo Motto em vez dos de camada leve. Dessa maneira, a vida útil de cercas bem construídas pode ser duplicada com o uso deste produto.

A3 - Torção da alma ou cordoalha

Conforme a torção, designamos os arames farpados em dois tipos. De torção contínua (bitola de 2,0 e 2,2 mm), com farpas entrelaçadas por entre os fios da alma.

De torção tipo alternada ou tipo Motto, normalmente com bitola de 1,60 mm, na qual as farpas são enroladas em torno de alma (farpados mais modernos).

A vantagem do arame de torção alternada ou do tipo Motto é que o arame se comporta com uma mola, compensado a dilatação do fio quando a temperatura varia ou quando sofre a ação de animais (ações mecânicas). Assim, as cercas construídas com estes produtos permanecem mais tensionadas e permitem uma maior espaçamento entre estacas.

Avaliação de custo de uma cerca

Em relação ao custo total de uma cerca, de uma maneira geral:

Sustentação (mourões e estacas): 40 a 60 %

Arames e acessórios metálicos: 20 a 30 %

Mão-de-obra (cerqueiros): 20 a 30 %

Instrução para montagem

O meio rural possui uma diversidade de atividades em que se pode fazer uso de cercas eletrificadas, dentre elas, a atividade pecuária intensiva (leite/corte ).

A correta implantação das cercas e do seu sistema de alimentação é limitante para o desenvolvimento da atividade.

Visando obter um sistema de produção a pasto eficiente, com uso de cercas eletrificadas, são necessários:

· boa orientação técnica;

· manejo adequado das pastagens (pressão de pastejo sobre forrageira existente no local);

· conhecimento das condições climáticas locais;

· avaliação da topografia;

· conhecimento dos recursos hídricos no local;

· correto dimensionamento dos piquetes e suas respectivas formas (layout);

· determinação da espécie animal e sua era (idade);

· acompanhamento do desempenho das pastagens durante o ciclo de pastejo para correto dimensionamento do tempo e da carga animal sobre cada piquete;

· escolha de materiais de boa qualidade e com assistência técnica eficiente.

Podemos citar como problemas acarretados pela ineficiência das cercas eletrificadas:

· aumento de custo na manutenção das cercas;

· aumento da mão-de-obra no manejo do gado;

· redução da vida útil dos materiais utilizados;

· ineficiência de sistemas de rotação de pastagens;

· ineficiência na contenção dos animais.

Correta montagem de sistema de pastejo

Escolha do tipo de manejo

O uso de cercas elétricas para otimizar o uso das pastagens deve ser avaliado de acordo com os dados coletados na área de implantação. Para isso, não existe nenhuma "receita de bolo" a ser seguida, a não ser o uso de bom senso para a escolha da melhor tecnologia.

Sistema de exploração intensiva de pastagens

· Pastejo extensivo racional

· Pastejo rotacionado.

Na primeira alternativa, têm-se, normalmente, grandes áreas de pastejo (100 ha ou mais) subdivididas em áreas menores (50 ha ou menos cada). Avalia-se, então, a capacidade de suporte da pastagem estabelecendo assim o tamanho dos lotes de animais. Este grupo de animais permanece então na mesma área durante todo o ano. Este manejo é indicado para bovinos de corte. A situação das pastagens antes da implantação das cercas determinará a necessidade de adubação corretiva, de acordo com a análise do solo e a recomendação de um agrônomo. Quando se tem a indicação de pastejo rotacionado, pretende-se maximizar o uso das áreas de pasto e minimizar as variações no valor nutritivo da matéria verde ingerida. Este sistema é indicado para animais de maior exigência nutricional e áreas mais valorizadas. Nos sistemas de pastejo rotacionados, temos ainda a variação de tamanho dos piquetes, carga animal, uso de adubação química ou não, irrigação, período de permanência dos animais nos piquetes, período de descanso para forragem e existência de áreas de pastagens adjacentes ao sistema para suprir eventuais erros de manejo.

Seleção da forragem

A implantação ou a substituição de pastagens pode implicar a mobilização de recursos financeiros altos. A alternativa encontrada para minimizar estes custos está muitas vezes na recuperação das pastagens já existentes no local, na implantação de culturas alternativas visando à melhoria do solo e ao custeio da formação das pastagens com o lucro da venda da produção, ou ainda no planejamento de um cronograma de implantação de pastagens com programação de investimentos.

A variedade de forrageiras disponível no mercado nos permite escolher a que melhor se adapta ao solo, às condições climáticas da região e aos recursos da propriedade (ex: irrigação), além de possuir a melhor relação adaptação/ produtividade/ valor nutritivo.

Capacidade suporte das pastagens

Normalmente a capacidade suporte das pastagens é dada em UA/ha (unidade animal) ou 450 quilos/peso vivo/ha. No entanto o consumo de matéria verde das pastagens e as perdas variam de acordo com a categoria animal ou o estado fisiológico dos animais.

Para o correto acerto da capacidade suporte, são necessárias a observação e a avaliação constantes da entrada e saída dos animais nos piquetes a fim de ajustar o número de animais e ou a adubação. .

Aspectos climáticos

Os índices pluviométricos e as temperaturas da região influenciam decisivamente a capacidade produtiva da forrageira, o período de permanência nos piquetes, o número de piquetes e a necessidade de irrigação do sistema. Estes dados podem ser obtidos nos institutos agrometeorológicos regionais. (Normais Climatológicos)

Layout da divisão de pastagens

A divisão dos piquetes deve ser orientada primeiramente pela inclinação do terreno. Recomenda-se locá-los perpendicularmente ao declive. Piquetes e corredores que possibilitam o trânsito dos animais em nível minimizam

processos erosivos no solo.

De acordo com a orientação topográfica e as distâncias a serem percorridas pelos animais, devemos procurar formas de piquetes proporcionais em termos de largura e comprimento. Piquetes estreitos favorecem um maior pisoteio e maiores perdas. O aparelho eletrificador deve ser preferencialmente instalado no centro da área onde estão dispostas as cercas para seu melhor funcionamento. As porteiras devem ser largas (acima de 6 m) e localizadas na extremidade de cerca do corredor no sentido do trânsito dos animais. Os corredores devem ser largos (acima de 6 m) para evitar danos às cercas. Os bebedouros não devem ficar muito distantes do local a ser pastejado.

Áreas de descanso onde são instalados os bebedouros e saleiros são comumente utilizadas. Nestas áreas, são depositados grandes volumes de material orgânico (exportado das áreas de pastejo) que devem ser recolhidos e devolvidos às áreas de pastejo. É importante o planejamento das áreas de sombreamento para evitar estresse calórico aos animais. Erroneamente, muitos pecuaristas não preservam um número mínimo de árvores em seus pastos, sendo obrigados a investir em sombreamento artificial.

A rotação de pastagens embaixo de pivô-central está se tornando uma prática comum em algumas regiões do país. A sua viabilidade econômica e a correta disposição das cercas na área deve ser avaliada por técnicos que possuam experiência no assunto. .

Determinação do modelo de cerca

As cercas eletrificadas pode ser móveis ou fixas

As cercas eletrificadas móveis são comumente utilizadas para isolamento de áreas superpastejadas, proteção de pastagens e aguadas, proteção de lavouras e áreas com formação de lama (atoleiros) e em sistemas de rotação de pastagens embaixo de pivô-central.

O uso destas pode não ser a alternativa mais econômica devido ao elevado custo de mão-de-obra para mudança das cercas, ao alto custo dos carretéis e cabos flexíveis e à redução da vida útil delas.

As cercas fixas devem proporcionar não somente uma contenção psicológica, mas também física. Este fator proporciona ao sistema uma redução nos custos de manutenção e aumenta a distância entre os mourões, reduzindo assim os custos de sua implantação.

 
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