|
Na atividade de pecuária de corte, a construção de currais para manejo do gado constitui investimento indispensável e prioritário. Apesar de existirem muitas alternativas quanto aos materiais empregados, formas e tamanhos, os currais tradicionais de madeira, com capacidade ao redor de 500 bovinos - como o "MÓDULO 500" - vêm se generalizando pelas vantagens que oferecem, entre as quais pode-se citar: • tradição; • resistência; tamanho compatível com a jornada de trabalho; facilidade na obtenção dos materiais e na construção; facilidade de manutenção; e • economia. Os componentes do curral permitem a realização, com eficiência, segurança e conforto, de todas as práticas necessárias ao trato do gado, como: • apartarão; • marcação e identificação; • descorna; • vacinação; • castração e pequenas cirurgias; • exames ginecológicos e inseminação artificial; • combate a endo e ectoparasitos; • coleta de tecidos animais; e • embarque e desembarque. De acordo com as conveniências locais, poderão ser introduzidas adaptações e outros componentes, como balança, banheiro carrapaticida, sistema de água etc. 2. CONSTRUÇÃO DO CURRAL2.1 Localização O terreno escolhido deve estar bem posicionado em relação à sede e às invernadas, visando à facilidade de acesso e manejo. A localização no centro da propriedade, antecedendo a construção de cercas e outras benfeitorias, é a melhor opção. Entretanto, através de simples instalações de acesso ao curral, construídas com cercas de arame, é possível garantir uma eficiente condução dos animais ao interior do curral. O local deve ser firme e seco, preferencialmente plano, não sujeito à erosão. 2.2 Dimensionamento A capacidade total do curral é calculada em 500 reses, levando-se em conta a área útil e a relação de 2 m 2/cabeça. Quando o manejo inclui aparte, a lotação fica restrita aos currais de depósito (200/300 reses), reservando-se os currais de aparte para separação dos animais. Outras benfeitorias, que devem ser construídas anexas ao curral (curralão, manga de recolhida, piquetes, etc.), além de facilitar o manejo e acesso ao interior do mesmo, permitem ampliar, com instalações simples, a capacidade de reunir animais que serão trabalhados em lotes de até 500 reses por vez. 2.3 Preparo do terreno Procede-se, inicialmente, à limpeza do terreno, que deve ficar livre de toda vegetação e detritos. Posteriormente, faz-se uma movimentação de terra no círculo aproximado onde deverá ser instalado o curral, no sentido de fora para dentro, visando obter uma superfície redonda, semelhante a uma calota esférica, com cerca de 2% de inclinação. Esta operação visa favorecer o escoamento das águas pluviais, impedindo a formação de lama nos pontos de maior movimentação de gado. Finalmente, acrescenta-se uma camada de cascalho em toda a área, com uma faixa excedente em volta do curral e proximidades do embarcadouro, seguido de compactação para acabamento. 2.4 Marcação do curral Escolhido e preparado o terreno para a instalação do curral, determina-se a posição do mesmo, considerando a facilidade de acesso e a insolação. A orientação leste/oeste, em seu maior eixo, é a posição desejável, impedindo maior penetração dos raios solares nas laterais do galpão. A partir do centro da área preparada, utilizando estacas, procede-se à marcação do galpão, brete, tronco de contenção e apartadouro. Posteriormente, marcam-se as cercas externas, subdivisões e porteiras. 2.5 Recomendações especiais Uma planta baixa detalhada , facilitará a demarcação e construção do curral. Se o local escolhido for inclinado, é necessário nivelá-lo antes do preparo da área. É conveniente, além disso, nas imediações do curral, fazer proteção contra a erosão. A inclinação dada ao terreno na superfície da calota esférica , não deve ultrapassar a 2%, para evitar problemas no assentamento (fixação) e abertura das porteiras . O eixo do conjunto brete, tronco de contenção e apartadouro deve ser em nível ou com pequeno aclive, evitando-se o declive. Quando o terreno for excessivamente arenoso ou não apresentar boas condições de drenagem, é conveniente proceder à concretagem dos palanques. Outros materiais podem ser utilizados na construção de currais, como cordoalhas de aço, vergalhões de ferro, arames galvanizados etc., cuja opção depende da conveniência local, da facilidade de aquisição e do custo. Os portões corrediços utilizados no brete e embarcadouro, podem ser construídos também com canos de ferro galvanizado, fornecendo-lhes maior resistência. É conveniente aplicar tinta preservativa, à base de alcatrão líquido e creosol ou produto similar, em todo madeiramento sujeito à ação do tempo. Sob a cobertura do galpão usa-se normalmente tinta a óleo. Construído o curral, pode-se fazer a arborização da área de serviço com espécies apropriadas para sombra. 3. PRINCIPAIS COMPONENTES 3.1 Cercas e porteiras As cercas são destinadas a garantir a contenção dos animais no interior do curral, devendo ter 2,00 m de altura nas cercas internas e 2,15 m nas cercas externas. Compõem-se de lances (vãos), constituídos de palanques e réguas. Os palanques devem ser de madeira de alta resistência e durabilidade, geralmente aroeira, com comprimento de 3,00 - 3,30 m e secção quadrada (0,15 x 0,15 m) ou mais comumente circular, com cerca de 0,18-0,25 m de diâmetro no topo. 3.2 Galpão Destina-se ao abrigo do brete, tronco de contenção e apartadouro, além de garantir conforto no serviço, devendo ter dimensões compatíveis com essa proteção, especialmente contra o sol e a chuva. Deve ser do tipo aberto em duas águas. Em geral, o comprimento é de 4,00 m, podendo ter secção quadrada (0,16 x 0, 16 m) ou circular (0,20 m de diâmetro no topo). O piso do galpão pode ser pavimentado com material de média resistência. O mais indicado é concreto (0,05 m de espessura) com acabamento de cimento rústico. Pode ter pequena inclinação para as laterais (2%), para facilitar a limpeza. O piso do corredor central do brete, do tronco de contenção e do apartadouro, bem como da rampa do embarcadouro, devem ser preferencialmente de concreto com, aproximadamente, 0,08 m de espessura e superfície dotada de agarradeiras. 3.3 Seringa É o compartimento do curral que sofre os maiores impactos do gado, constituindo-se no ponto nevrálgico do manejo; dele depende a rapidez e a eficiência no encaminhamento dos animais ao brete. A seringa dupla e em forma de cunha é um dos tipos que oferece melhor facilidade de manejo, permitindo retorno e fluxo contínuo dos animais. 3.4 Brete Construído sob o galpão, destina-se ao encaminhamento individual dos animais ao tronco de contenção. Permite ainda, tratos sanitários e outras tarefas que independem de maior contenção. O brete deve ter 1,60 m de altura com plataformas dispostas lateralmente a 0,75 m de altura e com 0,90 m de largura, visando facilitar o livre trânsito e acesso ao dorso dos animais. Internamente, deve ter 1,00 m na parte superior e 0,35 m na parte inferior. Estas dimensões permitem a passagem de animais grandes e impedem o retorno de amimais de médio porte. 3.5 Tronco de contenção Trata-se de peça pré-fabricada, disponível no mercado, montado geralmente na parte final do brete . É o componente mais versátil do curral e destina-se, basicamente, a conter os animais, facilitando os tratos a que os mesmos são submetidos rotineiramente. As principais características desejáveis para o tronco são a resistência, durabilidade, possibilidade de conter bovinos de porte variado, além da facilidade de manipular o animal quando no seu interior. 3.6 Apartadouro O apartadouro também situa-se na parte final do brete após o tronco de contenção, e destina-se à separação dos animais. É composto de portas de acesso aos currais, comandadas lateralmente de cima de uma plataforma.
3.7 Embarcadouro O embarcadouro é o conjunto formado por um corredor estreito (0,70 m) e rampa de embarque. Permite a carga e descarga de animais em gaiolas boiadeiras, utilizadas no transporte rodoviário. Quando houver necessidade de maior versatilidade no embarque de animais, levando-se em conta os diferentes veículos utilizados no transporte, é possível adaptar-se uma rampa móvel no último lance do embarcadouro, a qual pode ser regulada e fixada a diferentes alturas. 4. INSTALAÇÕES COMPLEMENTARES A condução dos animais para o interior do curral, é uma tarefa que pode tornar-se bastante difícil e mesmo inviável, quando não se dispõe de instalações apropriadas para esse fim. Instalações complementares ao curral devem ser construídas para facilitar o manejo dos animais 4.1 Corredores Poderão ser construídos com aramadas de 4-5 fios de arame liso, postes ou lascas de madeira com 8-10 cm de diâmetro no topo e 2,20 m de comprimento e moirões ou palanques de madeira, com 18-20 cm de diâmetro no topo e 2,50 m de comprimento. Os postes, cravados a 0,70 m de profundidade, podem ser distanciados entre si de 8-10 m, intercalados com 3-4 balancins de madeira serrada, medindo 3x4x100 cm, instalados nos vãos. Os moirões serão cravados a 1,00 m de profundidade, a cada 100 m de distância como esticadores e no início e final das cercas. 4.2 Depósitos Trata-se de áreas destinadas ao depósito de animais, permitindo separá-los em lotes, visando facilitar o manejo. As cercas destas instalações poderão ser semelhantes as dos corredores, entretanto, como pelo menos 5 fios de arame, distância de 6,00 m entre postes e 3 balancins (3x4x120 cm) nos vãos. Um dos depósitos sugerido é opcional. 4.3 Manga de recolhida Este componente, construído também com cercas de arame liso, na forma de cunha, é realmente aquele que garante a entrada dos animais no interior do curral. As cercas devem ser reforçadas, com materiais semelhantes aos mencionados anteriormente, entretanto, posicionados a menor distância e sem balancins. Os postes devem manter 2,00 m de distância entre si. Utilizar-se-á 7 fios de arame liso e a chegada das cercas ao curral, deverá ter, de cada lado, dois lances de 3,00 m de comprimento, construídos em madeira, semelhante as do curral. Opcionalmente os 2-3 fios inferiores das cercas das laterais da manga de recolhida, poderão ser removíveis, para facilitar o manejo de bezerros nas ocasiões de aparte de gado de cria, possibilitando o reencontro de vacas apartadas em lotes e respectivas crias. 4.4 Pátio do curral É um componente opcional, podendo ser construído também com cercas de arame, semelhante as dos depósitos. Facilita o manejo do gado, servindo como área auxiliar de espera e para montarias, devendo ser mantida gramada. 4.5 Recomendações Recomenda-se que, os arames das cercas, sejam instalados e mantidos sempre com boa tensão, para garantir a contenção de animais de diferentes portes. As porteiras utilizadas nos diversos componentes, devem ser de madeira (tábuas), para aberturas de 3,50 m de comprimento. Na instalação do curral e complementos, atentar para a direção dos ventos dominantes e a distância entre a sede e o curral, para evitar a condução da poeira formada durante o serviço, para as moradias, nos períodos secos do ano.
|