Introdução O confinamento de bovinos para venda do boi gordo na entressafra é uma atividade que obteve grande crescimento no Brasil. Entretanto, como esse sistema requer certo grau de conhecimento, é necessário ter-se em mente certas orientações, a fim de se evitar erros em sua aplicação que poderão causar grandes perdas econômicas, situação que em épocas como hoje nem o produtor, nem o país podem suportar. No confinamento visamos dar o melhor conforto para os animais, para que eles possam se sentir acomodados, assim podendo ser alimentados adequadamente para obter seu peso ideal para abate. Instalações O elevado custo das instalações recomendadas para a engorda de gado em confinamento tem limitado a prática desta atividade no meio agropecuário. De fato são necessários pesados investimentos na construção de algumas edificações, ou adaptação das já existentes e também na aquisição de equipamentos especializados. O confinador deve avaliar as vantagem e as limitações tanto do ponto de vista técnico como econômico dos principais tipos de instalações usualmente recomendadas, antes de fazer sua escolha. As recomendações diárias disponível por animal variam de acordo com o tipo de piso revestido ou não. Nos currais revestidos variam de 5- 10 m 2 , que permitem praticamente dobrar o número de cabeças, uma vez que fica garantida a melhor limpeza do local, evitando-se acúmulo de lama, ou poeira conforme a época do ano. Já nos currais não revestidos, variam de 20- 40 m 2 em pisos de terra batida. Segundo levantamento feito pela EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a área disponível por animal em confinamento por execução registra índices variando de 7,4-50m 2, o que revela serem ainda muito variáveis os critérios utilizados. Cocho: são vários os tipos ou modelos de cochos adotados. Existem de concreto ( pré-moldado ), de tijolos revestidos, de cimento liso, de madeira e até de materiais adaptados existentes na propriedade. A sua escolha dependerá do material a ser utilizado, quantidade de investimento disponível e certamente do gasto pessoal do interessado. Quanto a sua localização, deverão ser colocados numa posição que permite o fornecimento de ração pelo lado de fora, facilitando ao máximo a mão de obra.
Especificações Coberta para cochos volumosos Esteios - 4,00m de comprimento -
distanciados 4,00m Ø – 0,15 x 0,15 a 0,20 x 0,20m
Peças - 1 - 0,12 x 0,08 - 2 - 0,08 x 0,08 Cobertura - brasilite Piso - empedrado Cochos/volumosos 0,70 a 1,00m corridos/animal Largura - topo – 0,80m - fundo – 0,60m - profundidade – 0,40m - espessura – 0,04m - bordo superior – 0,80m do solo Cocho para minerais: esse cocho é dividido ao meio. Em uma das partes é colocado sal mineralizado e na outra farinha de ossos. Um cocho com essas dimensões é suficiente para 100-150 animais. Especificações Cocho/minerais e mistura melaço x uréia Esteios - 4,00m de comprimento - distanciados de 4,00m - 0,15 x 0,15 ou 0,20 x 0,20m Peças - 1 – 0,12 x 0,08 - 2 – 0,08 x 0,08 Cobertura - brasilite Piso - empedrado Cocho/minerais Largura - topo 0,40m - fundo 0,30m - profundidade 0,30m - espessura 0,04m - borda superior 0,80m do solo - uma unidade (4,00m de comprimento) 100-200 animais. Cocho/mistura melaço x uréia Largura - topo 0,40m - fundo 0,30m - profundidade 0,30m - espessura 0,04m - borda superior 0,80m do solo - uma unidade (4,00m de comprimento) 50-100 animais. Bebedouro: devem ser de alvenaria de tijolo e concreto, com água encanada controlado por bóia. Deverá ter um dispositivo, como um registro, que permita um esvaziamento rápido, para limpeza, quando necessário. A forma preferida é a retangular, com largura de 1,20m a 1,30m para cada 10 (dez) animais. Os bebedouros circulares estão se tornando populares graças às vantagens de permitir acesso mais fácil dos animais, reduzindo brigas e permitindo instalações mais simples.
Cercas: em geral as cercas são construídas de moirões de madeira roliça de 15-20cm de diâmetro e réguas com secção de 3 x 15cm em número variável conforme a altura, que deve ficar entre 1,70-1,80m. Pode ser ainda de arame liso (sete fios) ou cabos de aço ( cordoalhas de aço ), varões roliços de madeira combinados com moirões de madeira, concreto ou canos de ferro. Os detalhes de construção não diferem daqueles já conhecidos para os currais clássicos.
Corredores: os corredores de alimentação podem variar de 3,5-12m de largura, dependendo do tamanho do confinamento. A largura de 6m permite a passagem de dois veículos ao mesmo tempo e em grandes confinamento permite economizar tempo. Embora não necessariamente deva-se dar preferência ao corredor de alimentação pavimentado, revestido de concreto, cascalho ou asfalto mesmo para os confinamentos a céu aberto, nas regiões de grandes precipitações.
Os corredores de serviço apresentam também dimensões variadas. Como as porteiras de currais geralmente se abrem sobre o corredor de serviço, é costume coincidir o comprimento delas (3,60-4,60m) com sua largura, para facilitar o manejo com o gado. Nos grandes confinamentos, os diversos corredores de serviço convergem para o corredor central, que conduz ao conjunto de brete, currais anexos e embarcadouros. Abrigos: o clima tem grande influência no desempenho do gado em geral e condições adversas resultam em menor ganho de peso. Nas regiões tropicais, mais quente e úmida, como o Brasil central, tantos animais novos como os de recria e engorda, quando submetidos ao confinamento, não chegam a sofrer os efeitos desfavoráveis da temperatura e da umidade relativa do ar. Desde que disponham de abrigos na forma de galpões abertos e bem ventilados ou de árvores que propiciem sombra adequadamente bem distribuídas.
A combinação de curral aberto com árvores de sombra, embora pouco freqüente entre nós, em face do caráter temporário de muitas instalações é uma alternativa prática e pouco dispendiosa, nas regiões de temperaturas mais altas. Todo setor de manejo deve ser tábua, sobre esteios de madeira. São 10 tábuas de 17cm x 3cm com espaçamento de 3cm. As seguintes instalações mínimas são consideradas necessárias nesse setor. -
curral geral com embarcadouros para recepção dos animais destinados ao confinamento; brete com seringa e corredor; curraletas para apartação; balança para animais tronco de contenção fixo ou móvel; baias-enfermarias; pedilúvios; banheiras carrapaticidas (opcionais).
Atualmente já existem no mercado internacional varias firmas especializadas na venda de equipamentos para contenção e confinamento de gado. Analisando o curral da figura 5, notamos o setor central de serviços no eixo AB com seringa, tronco coletivo individual, apartadouro, balança e embarcadouro. O eixo AB deve ficar no sentido leste-oeste, que acompanha a trajetória do sol. Em que: seringa: local que recebe os animais de um dos curraletes e os encaminha ao troco. Em forma de trapézio, com largura máxima de 6m, afunilando para 1m de tal forma que os animais empurre os da frente, impedindo seu retorno. Em alguns casos, tem a forma de losango encaminhando, também à balança. troco coletivo: dependendo do comprimento pode até conter 4, 6 ou até 8 animais, destinando-se a vacinações, vermífugos injetáveis, controle de parasitas por produtos sistêmicos, e marcação. Geralmente 1,50m por animal.
Tronco individual: com secos de imobilização e até 8 portões para acesso do ao animal, permitindo, além do serviço de tronco coletivo, também castração, cirurgias, toque, inseminação, marcação, identificação, aplicação de produtos via oral e curativos diversos. Pode se fixo ou de tombar. Apartadouro ou ovo: permite apartar os animais para diversos curraletes ou mesmo para banho carrapaticida. Os portões serão comandados por cima através de plataformas. Neste caso, o pé direito do galpão deve passar de 3m para 3,50m, no mínimo.
Embarcadouro: em forma de rampa, subindo mais ou menos 1 metro para alcançar o piso da carroceria do veiculo. As laterais da rampa podem ser de alvenaria de tijolo ou concreto ciclopico, aterrada por dentro. O piso é concretado no traço 1:5:8 e acimentado no traço 1:4, formando ranhuras fundas que permitam bom apoio dos cascos, evitando escorregões. Porteiras: dotadas de feche rápido e monobra fácil, deve ter em torno de 3m quando externas, 2,50m quando internas, e 1,80m nos corredores e 1,00m no chamado ovo.
Para a maior comodidade a área que compreende do tronco à balança deve ser de 3-6m. Logo abaixo apresentamos a planta baixa do curral “módulo 500” da EMBRAPA, com capacidade com 500 cabeças. Este modelo apresenta seringa dupla em forma de punha, o apartadouro ou ovo que permite acesso à currais de aparte diferentes e também à balança e ao embarcadouro. Ao lado da seringa, podemos observar dois currais depósitos, o qual os animais são previamente recebidos. Logo abaixo apresentamos um exemplo de dimensionamento de curral para manobra de 300 cabeças por vez. Comprimento do curralete: função da dimensão de equipamentos de manobra adotados, como por exemplo: 1 – anti-sala de trabalho = 1 a 6 x 4 a 6m; 2 – seringa = 4 a 6m x 4 a 6m ou 1,5m por cabeça dimensionada em função do número de animais que vai entrar no tronco coletivo. 3 – tronco coletivo (para vacinação) = 1,5m/cabeça; normalmente confeccionado ou comprado pronto em unidades para quatro animais ( 6 metros), para seis animais ( 9 metros) e para oito animais ( 12 metros). 4 – Sala de apartação (porteiras com abertura 1,8 a 2,0m para saída dos animais) 4m; 5 – Tronco individual (para trabalho para cabeça dos animais como descorna, marcação, cirurgias e outros como castração) = modelos patenteados com comprimentos de 3,0 a 4,2m; 6 – Porteiras de apartação = 1,8 a 2,0m; 7 – Balanças = 3,5m (depende do fabricante); 8 – Porteira de apartação = 1,8 a 2,0m; 9 – Embarcadouro = rampa de comprimento de 3,0m, 1,0 a 1,2m de largura e diferença de nível de 0,9 a 1,1m (altura da carroceria do caminhão). Também cercado com tábuas, como os outros componentes do eixo de serviço. Piso concreto ( laje ) com frisos ( ásperos ) para facilitar o movimento do animal; porta tipo guilhotina Em alguns casos, na saída do embarcadouro, ainda é necessário a adaptação de bretes pulverizadores ou banheiros carrapaticidas ( ataque de carrapatos e mosca do chifre ), disponíveis em muitos modelos no mercado. Dependendo da infestação um pulverizador costal resolve. Detalhes da construção do curral de manobras Divisórias: - externa: confeccionadas com esteios de diâmetro 15-17cm ou seção quadrada 15 x 15 ou 17 x 17 cm, enterrados a profundidade de 1,0 a 1,5m, a cada 2,0m e furados para passagem de aproximadamente 8 fios de cordoalha de aço ¼” ( 6,4mm), espaçados na base 20cm e no topo 35cm.
- internas: (do eixo de serviço) confeccionadas com os mesmos esteios mencionados anteriormente, a cada 1,5m e cercados com tábuas de 15-17cm de largura por 3,5-4,0cm de espessura. Todas as divisórias têm altura variando entre 1,8 a 2,0m. Coberturas: o tronco coletivo, o individual e a balança devem ser cobertos, sendo que debaixo das coberturas deve haver um espaço cercado para o operador fica. Procurar orientar as cobertas no sentido leste-oeste, com o pé direito variando entre 3-4m e estrutura de madeira ou concreto pré-fabricado e com telhas de cimento amianto.
As porteiras da periferia do curral de manobra possuem abertura maior (3-4m). Uma recomendação importante para construção do curral de manobras é que os cantos da cerca devem ser arredondados.
Deve ser composto pelas seguintes instalações mínimas: -
silos para forragem (vários tipos); fenil (opcional); galpão para depósitos de alimentos concentrados e suplementos; galpão para preparo de rações e equipamentos (desintegradores, misturadores, balanças, carretas, etc); deposito de utensílios e ferramentas; galpão para veículos diversos (tratores, colhedoras, carretas, etc); farmácia veterinária; escritório central; área de plantio (milho ou sorgo para silagem, capineira, esterco e urina).
Para controlar os efeitos prejudiciais dos resíduos em confinamento, pode-se utilizar também as esterqueiras. As dimensões da esterqueira deve levar em consideração os seguintes parâmetros: -
altura máxima do monte de esterco deve ser de 2,50m; a produção por cabeça de gado é de 0,50 toneladas; a largura dos compartimentos devem ter 6m, para permitir a entrada de veículos.
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